sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Estão nuas as minhas sebes

Apesar de este ano ter feito alguns esforços no sentido de tentar reverter o problema que começou a atacar as minhas escalónias, a verdade é que esses esforços foram infrutíferos e o problema mantém-se. Chega o outono, e as folhas começam a cair em força, e depois no inverno ficam só com os paus à vista. E se o objetivo de uma sebe é manter a privacidade durante todo o ano, a verdade é que assim só o consigo numa pequena parte do ano. Há umas semanas atrás deixei-lhe uma valente poda, e reduzi a menos de metade a largura da sebe, e com esta poda elas vão ter de se revitalizar com os novos rebentos. Mas isso não irá resolver o problema de posteriormente, no próximo outono, voltarem a ficar sem folhas. De qualquer das formas o cenário na sebe da frente da casa é este:


E já decidi, vou substituir todas a sebe de escalónias por heras. Um dia até me posso arrepender das heras, mas neste momento parece-me uma ótima solução. Quase só vejo vantagens. Não precisam manutenção, de ser aparadas vária vezes ao longo do ano, são muito resistentes, e mantêm sempre o mesmo aspeto verde, e além disso não ocupam qualquer espaço em largura, que qualquer outro arbusto ou cipreste necessita. E depois o lado económico, pois posso fazer quantas estacas quiser, meter na terra e já está. A única desvantagem que encontro é mesmo o tempo que é necessário até que elas trepem até metro e meio de altura, mas também qualquer outra opção para sebe também levará o seu tempo até que oculte totalmente a vista. 

O que eu vou fazer não é arrancar as sebes todas de uma vez. Até porque se fosse para fazer isso, não tinha tido o imenso trabalho que tive em podar todas as escalonias à volta de casa. A minha ideia, até para não ficar sem nada a dar alguma privacidade durante vários anos, é fazer a coisa de forma faseada. Já comecei por plantar heras em alguns intervalos das escalónias, e onde elas estão demasiado juntas, vou arrancá-las e plantar mais heras. Conforme as heras forem crescendo, depois então vou arrancando as restantes escalónias. 

Na frente da casa vou plantar a hera que tem a folha mais recortada e só de uma cor para ter um efeito uniforme. Do lado do monte talvez vá intercalando com a hera com contorno amarelo, até porque tem um crescimento mais rápido. 


Como se vê nesta imagem, aproveito um espaço em aberto para a plantar, quando a hera crescer e alargar mais, tratarei de arrancar as escalónias, algo que não é assim muito complicado pois não têm raízes muito vigorosas, quando comparado por exemplo com as ciprestes.  

Há que ser paciente pois as heras demoram a crescer, mas de qualquer das formas acho que compensa a espera. Em quatro anos consegue-se uma coisa como esta, e não é por ser minha, mas acho que resultou muito bem.

Trepar em fevereiro

Nas últimas semanas, as diferentes espécies de heras que tenho, tanto a espécie espontânea, e que pode ser encontrada por todo o país, como as que comprei (com a exceção de uma) para tapar a zona do terrário das tartarugas, todas elas trepam avidamente em fevereiro.

Deixei crescer uma hera espontânea que nasceu junto à nespereira, e num espaço de poucos tempo já trepou grande parte da árvore.








A hera normalmente comporta-se como uma trepadeira, mas também pode crescer sobre o chão cobrindo extensas áreas. Mas normalmente trepa sobre qualquer coisa que lhe sirva de suporte, e se for uma árvore irá escalar por ela acima. Não é uma planta parasita, porque as suas raízes aéreas não se alimentam das árvores onde se fixam, servem-se unicamente destas raízes para se agarrarem. E é por esse motivo que não compreendo o motivo de as ver constantemente cortadas pela base nos vários parques que frequento. Ainda por cima porque são ótimas para toda a biodiversidade envolvente, funcionando tanto como abrigo, e como alimento. Talvez me esteja a escapar alguma coisa, porque estou em crer que os funcionários destes parques não fazem as coisas só porque lhes dá na real gana, e serão orientados por gente formada, e que saberá muito mais que eu, nestas áreas.

Das três variedades que comprei, duas delas também arrancam com as escaladas em fevereiro. Uma tem uma folha mais pequena e elegante, se bem que os novos rebentos exibem muitas vezes umas folhas muito maiores e pouco semelhantes às mais velhas. A outra hera tem um contorno em amarelo na borda da folha. 




Nesta zona podem-se ver as duas espécies fundindo-se uma na outra. 


As heras são também uma ótima opção para revestir qualquer coisa que se queira ocultar, dando um belo efeito natural. Além disso muitas vezes reforçam os próprios muros já muito velhos. Em conversa em casa de um senhor conhecido meu, e quando uma hera que tinha e que chamou a atenção, ele dizia-me que se não fosse a própria hera, o muro que tinha em pedra de laje já se tinha desmoronado!

Ilustre desconhecido

Como referi na mensagem anterior, tenho o vício de recolher bagas e sementes que encontro nos passeios que dou, e tenho o péssimo hábito de não fazer o registo da coisa (onde foram apanhadas, de que planta, data, etc) e depois, muitas vezes, limito-me a enterrar as sementes, outras vezes nem isso, atiro-as simplesmente para debaixo da copa das árvores, como aconteceu há alguns meses com algumas bagas de Azevinho-dos-Açores (Ilex azorica Loes) que recolhi no Jardim Botânico, e que certamente se germinarem, passarão vários anos até que isso aconteça.

O que acontece depois, é que, penso que tenho determinada planta, e depois afinal sai-me uma coisa completamente diferente, o que não deixa de ser engraçado. No ano passado, por exemplo, pensava que tinha três japoneiras e afinal depois verifiquei que eram três loureiros! 

Neste momento tenho duas plantas iguais, que nasceram de sementes recolhidas algures e que ainda não tenho bem a certeza de que espécie são. Cheira-me que serão cotoneaster, e apontei inicialmente que fossem Cotoneaster franchetii mas agora, e porque acho as folhas demasiado brilhantes, já não tenho tantas certezas. É esperar para ver o que daqui sairá! 






Se alguém souber o que é, ou que acha que poderá ser determinada planta, faça o favor de dizer.

Já despertam as gilbardeiras

Ainda estamos em pleno inverno, apesar de já só faltarem três semanas para que entre a primavera, mas muitas plantas já despertam do sono profundo e começam a crescer vigorosamente. Um exemplo disso são as gilbardeiras. 

Esta planta autóctone, da qual já falei anteriormente aqui, propaga-se naturalmente de duas formas totalmente distintas: sexuada e assexuadamente. A forma mais comum da maioria das plantas se propagarem é através da produção de flores, que ao serem polinizadas, produzem frutos que darão origem a sementes. Esta é a chamada propagação sexuada.

Mas no caso da gilbardeira, esta reproduz-se naturalmente, mesmo sem recurso à produção de sementes. Fá-lo por via assexuada, através da multiplicação dos seus tubérculos. Neste caso, como é óbvio, por se tratar de uma espécie que origina plantas masculinas e femininas, estas novas plantas serão do mesmo sexo da planta-mãe. 

Como tenho o vício de apanhar bagas e sementes do chão, há coisa de dois anos recolhi algumas bagas de gilbardeira, às quais não fiz mais nada - qual esquilo! - senão enterrá-las e esquecer-me delas. No ano passado para minha surpresa tinha duas pequeníssimas plantas! 

Gilbardeira de semente com um ano 

Podemos observar que estas plantas, e durante um ano, não cresceram mais do que cinco centímetros de altura. Mas entretanto já começaram a propagar-se pelo alastrar dos tubérculos, dos quais surgem novos caules. 

Em plantas adultas podemos observar que o crescimento destes caules é substancialmente maior. E são estes caules, já de bom tamanho mas ainda tenros, que podem ser usados na cozinha.

Rizomas brancos


Dois novos caules

A gilbardeira (fêmea) que tinha plantado diretamente no solo, no final de novembro passado, também ela já exibe um novo caule a furar da terra e ainda mantém muitos frutos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Os picos das folhas do azevinho

Ontem, enquanto dava uma poda nos azevinhos, porque os ramos maiores já cresciam para o passeio e alguns já batiam na caleira do telhado, e depois ficam ali a bater, comecei a observar como as folhas da mesma árvore são bastante diferentes.

Quando pensamos em folhas de azevinho, de imediato visualizamos mentalmente uma folha ondulada e bastante picante, mas a verdade é que, com o tempo, e à medida que a árvore vai crescendo, as folhas vão perdendo os espinhos, e depois é curioso como, na mesma árvore podemos encontrar folhas ainda com picos, e outras já totalmente lisas.

Folhas de azevinho de uma mesma árvore

Se formos comparar um azevinho com três ou quatro anos, nascido de semente deste azevinho mais velho, podemos observar como as diferenças são substanciais. 

Folha de azevinho adulto e folha de azevinho com 3/4 anos

Mais evidente ainda quando comparamos com uma folha que já não apresenta quaisquer picos:


Talvez seja uma interpretação especulativa, mas a ideia que dá, é que os anos vão passando, e a árvore como fica cada vez maior, torna-se mais segura de si, não tendo já tanta necessidade de se defender. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Cobra na beira da estrada

Poucos meses depois de ter encontrado o sardão em casa, já em pleno verão, encontrei um outro réptil, este bem mais desconhecido para mim, pois pouco ou nada sei sobre espécies de cobras.
Quando subia a pé, a rua da casa dos meus pais, ouvi rugir por entre as ervas e fiquei alerta e fui de encontro ao sítio de onde vinha o barulho e de imediato deparo-me com uma cobra escondida, por entre a vegetação da beira da estrada e o muro. Lá vou eu a correr a casa dos meus pais, que estaria a uns cem metros de distância, e volto rapidamente com a máquina fotográfica na mão, e a bicha lá continuou à minha espera!






Fazendo fé na indicação que me deram num fórum da especialidade, trata-se de uma Cobra-de-água-de-colar (Natrix Natrix), espécie bastante comum no território português. Não sei precisar, mas este exemplar já tinha um bom tamanho. Pesquisando sobre esta espécie, fiquei a saber que pode atingir cerca de dois metros, e é (como a maioria das cobras em Portugal) totalmente inofensiva para o homem. Na minha presença esteve, aparentemente, sempre calma, e não demonstrou qualquer postura agressiva, mesmo tendo-me aproximado bastante, sempre na busca pelo melhor ângulo para a fotografar. 





sábado, 15 de fevereiro de 2014

O visitante colorido

Maio de 2012. Certo dia chego a casa e surpreendo-me com um bicho, e também ele surpreendido comigo, desatou a fugir e a esconder-se atrás de um grande vaso de cimento num canto do passeio. Fui logo a correr ao carro buscar a máquina fotográfica, e tratei de, calmamente, cercar o animal para o fotografar.

Estou-te a ver!
Era um sardão que, provavelmente ali se estaria a aquecer junto ao muro. Entretanto o bichano saiu a correr pelo passeio mas depois, e para minha sorte, trepou por umas portas com rede metálica onde tenho as botijas do gás, e pude assim, apesar das pilhas estarem quase sem carga, fotografar a criatura à vontade, pois ele ficou ali uns quantos minutos quase imóvel, enquanto eu lhe punha a objetiva quase em cima.


O sardão (Lacerta lepida ou Timon lepidus) é o maior lagarto da nossa fauna podendo atingindo mais de meio metro de comprimento, em que a cauda representa mais de metade. Aqui na zona onde vivo há muitos anos que não via um, não sei se terá sido meramente coincidência, ou se por aqui, as populações deste lindíssimo animal, estarão de facto em queda, como se diz que estão por todo o território, fruto principalmente da perseguição que é alvo por parte do homem.






O facto de ter ido para esta rede, também facilitou que pudesse depois saber o seu tamanho, pela medição das quadrículas de rede. Mais coisa, menos coisa, este sardão teria uns 31/32cm, tratando-se ainda de um juvenil.



Depois da sessão fotográfica, desatou a correr pelo passeio atrás da casa, e foi-se refugiar na zona dos azevinhos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Saldos et un cadeau spécial

A minha última mensagem em formato musical, reflete o que se tem passado. Estamos a meio do inverno e a chuva tem dado poucas tréguas para se fazer o que quer que seja. Vou aproveitando os intervalos dos aguaceiros, para mudar umas quantas dezenas de plantas do meu mini-viveiro para vasos maiores. Fiz também mais umas decorações com catos e suculentas em  taças de barro, e de resto, reservo tempo para as limpezas. Apanho a fruta caída no chão, as muitas tangerinas, clementinas e laranjas que caem, e que além de poderem ser uma fonte de bicharada, ajudam a acidificar o solo. E depois são as folhas e as flores, a imensa folharada que a nespereira solta, que conjuntamente com as imensas flores da japoneira, vão diretamente para a compostagem. Há umas semanas havia também dado uma poda valente nas sebes, que estão agora despidas, e tenho plantado algumas heras nos seus intervalos, algumas mesmo só de estaca, pois tenho em mente substituir toda a sebe de escalónias por heras. É uma mudança bastante drástica, e sei que é um projeto a médio prazo (três/quatro anos) pois as heras demorarão a pegar, fixar-se ao muro e crescer, mas já me decidi, e depois darei aqui conta da evolução das coisas. E basicamente, nos últimos tempos, a minha atividade no jardim tem-se resumido só a isto. 

Entretanto, hoje aproveitei uma passagem pela baixa do Porto, e passei na loja da Europa-América que está com descontos de 50% em muitos títulos mais antigos, até ao fim do mês, e no que me interessa, em grande parte dos seus títulos da secção jardinagem. Já tenho alguns livros sobre o tema, uns mais antigos, outros mais recentes, mas já andava de olho num livro de um senhor inglês, Alan Titchmarsh, jardineiro e figura televisiva, que descobri graças à internet, e que me deliciei a ver os seus programas na BBC. Além, da imensa sabedoria e dos conhecimentos que transmite, aprecio especialmente o fascínio com que fala quando mete mãos à obra e o seu excelente bom humor.

Os livros são um verdadeiro luxo em Portugal, e provavelmente nunca que compraria o livro ao preço normal, mas com um desconto de 50% acabei mesmo por o trazer para casa.


Entretanto chego a casa, passo na caixa do correio, e uma surpresa. Um verdadeiro miminho! Uma amiga minha, teve a simpatia de, juntamente com a correspondência, me enviar dois pequenos livrinhos, com fichas descritivas sobre trinta espécies de catos e trinta espécies de suculentas.




Oportunidade para adquirir mais alguns conhecimentos, e relembrar também, o meu muito enferrujado, francês.