domingo, 27 de abril de 2014

Larva mineira na madressilva

Por estes dias apareceram uma espécie de riscos nas folhas das madressilva que tentei propagar no outono e estão agora a crescer bem. A madressilva, é uma uma espécie de trepadeira ou liana, que é espontânea um pouco por todo o país, atrai imensas borboletas, aliás é ver muitas lagartas nesta altura a devorar as suas folhas, e tem uma floração de odor muito agradável. 

Galerias da larva mineira




Lagartas de Euphydryas aurinia devorando folhas de madressilva


Madressilva num abraço apertado a dois eucaliptos


Após alguma pesquisa, fiquei a saber que se trata de uma larva, chamada larva mineira, precisamente por escavar verdadeiros túneis por dentro da folha. Em adulto é uma pequeníssima mosca. Basta virarmos a folha, para observarmos as larvas dentro da própria folha.

Duas larvas mineiras

Escavam galerias, que vão alargando conforme a larva vai aumentando de tamanho e alimentam-se da seiva das plantas, originando a redução da fotossíntese, e em último caso, a morte das folhas.

Curiosamente, a poucos metros de minha casa, no monte e no meio de toda aquela variedade de ervas que eu lá tenho espalhado para substituir o tojo e as silvas, e onde agora até o vizinho lá deixa as ovelhas a pastar, encontrei uma madressilva, sem qualquer vestígio de ataque desta praga.

Madressilva no meio do prado verde


Ovelhas a pastar


No entanto perto da casa dos meus pais, uma madresssilva já de grande porte, e que se pode ver acima abraçada a dois eucalitptos, também ela apresentava alguns ataques das mineiras.


Estarei atento, e se for o caso ver qual a melhor forma de combater estas pestinhas.

sábado, 26 de abril de 2014

Todos por um

Já por diversas vezes encontrei ninhos de aranhas no jardim. Há dois anos, encontrei estas aranhas-bebé, minúsculas, todas juntinhas numa bola.


Esta semana, também na sebe, encontrei um outro ninho de aranhas, mas ao tentar aproximar a máquina fotográfica o mais perto possível para fotografar, devo ter tocado em alguma coisa, e de imediato, num reflexo instintivo, todas se espalharam rapidamente pelos fios da teia.









Assim que o eventual perigo desapareceu, começaram de novo a agrupar-se novamente, e a assumir a sua formação bola.  






quinta-feira, 24 de abril de 2014

Azevinho - Ilex aquifolium "Myrtifolia"

Em novembro de 2010 quando me passeava por uma grande superfície de plantas e artigos de jardim, um pequeno azevinho chamo-me a atenção, por ter a sua folha muito pequenina, mas não tinha nenhumas bagas, e se não tinha, quase de certeza que nunca iria vir a ter, pois no comércio, as plantas são sempre vendidas na altura em que estão mais apelativas, seja em flor, ou com outra qualquer particularidade que as atraia, e no caso do azevinhos, são as bagas vermelhas.


Já tinha três azevinhos em casa, os dois gigantes autóctones, e um variegata (com o contorno da folha a amarelo) por que não então juntar mais um à coleção? Era um vaso relativamente pequeno mas custou à volta de 8€.



Plantei-o no mesmo alinhamento dos outros, mas perto do muro da casa, apanhando bastante sombra da japoneira.  Mas pouco depois de o ter plantado aconteceu uma tragédia, e aprendi à minha custa. Certa vez andava a podar a sebe, e como ele está muito perto, sem querer pisei-o, e parti-lhe todos os ramos maiores do meio. Claro que fiquei bastante chateado e triste com a situação, mas acho que se lhe tivesse colocado uma estaca para sinalizar e proteger, já não corria esse risco, assim como ele era muito pequeno, ao dar uns passos atrás, pisei-o acidentalmente.

Procurando saber mais acerca desta espécie de azevinho, a primeira conclusão a que cheguei é que existe pouca informação disponível na internet, em português então quase nada, e isso talvez vá de encontro a dizer-se que se trata de um cultivar masculino (variedade cultivada) raro.

A própria etiqueta que vinha junta com a planta, e que gosto sempre de guardar, contém também informações básicas importantes.


Depois o próprio nome "myrtifolia" dará algumas pistas: "Azevinho-folha-de-murta". É um azevinho que cresce em forma cónica, mas só até metro e meio, dois metros no máximo. Como todos os azevinhos, gosta de solos ácidos, dá flores (masculinas neste caso) entre março e maio, e pode ser colocado a sol pleno ou meia-sombra. As folhas são muito pequeninas, mas com aqueles picos nas bordas, tão caraterístico dos azevinhos.

É um azevinho de crescimento lento, bastante denso, sendo por isso indicado tanto para ser plantado isoladamente, como em bordaduras. Pela pequenez das folhas, estou em crer que resultará muito bem em bonsai. 

O meu, três anos e meio depois de ter sido plantado, está agora com pouco mais de um metro de altura. Como lhe parti o tronco principal, esse foi entretanto assumido por um dos ramos laterais. Estou em crer que, conforme for crescendo, e com algumas podas, o consiga deixar com um aspeto cónico e denso, agradável à vista. 

Azevinho (Ilex myrtifolia)


Folhas em detalhe


Ilex aquifolium myrtifolia (flores masculinas)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Abril no jardim

Em abril muita coisa acontece na natureza e nos nossos jardins também. Mês de sementeiras, plantações e transplantes, pulverizar contra o pulgão, arrancar ervas, a relva começa a crescer vigorosamente e precisa de ser aparada... no fundo muitas coisas acontecem ao mesmo tempo em abril. Estamos em plena primavera, é uma corrida contra o tempo, para as plantas crescerem e florirem. 

No meu jardim também muita coisa está a acontecer ao mesmo tempo, um pouco por todo o lado. Aparecem os primeiros botões de flores da romãzeira:

Um botão na romãzeira

O Pitósporo-japonês (Pittosporum tobira) floresce abundantemente e até o vizinho está sempre a dizer que cheira que é um espetáulo:


Pitósporo-japonês (Pittosporum tobira)


Flor do Pitósporo-japonês


As laranjeiras também elas estão em flor e dão um odor muito agradável, e o relvado que toda a gente elogia e que eu acho que ainda poderia estar melhor:



Flor da laranjeira




As sebes de escallonia-rubra que depois da poda vigorosa que lhes dei, estão agora verdinhas:

Dois meses de diferença

Algumas aromáticas já estão em abundante floração:

Tomilho em flor (Thymus vulgaris)


Rosmaninho em flor (Lavandula stoechas)

As piracantas (ou Espinho-de-fogo) também estão em flor:

Pirancanta ou Espinho-de-fogo em flor

As sementes de cabaça que semeei este mês já têm algumas folhinhas:

Cabaça

E os girassóis, poucos dias depois de terem ido para a terra também já estão a nascer, e a correr contra o tempo, para darem as suas imponentes flores antes de morrer. 

Semente de girassol a germinar

Para já ficou só um breve sumário, brevemente, deverei voltar a revisitar aqui no blogue alguns destes temas.

De passagem pela Serra da Freita

Já há bastante tempo, que digo a mim mesmo que quero visitar Arouca, e em particular a Serra da Freita, mas os anos vão passando e na verdade nunca mais lá vou. Na última vez que lá estive, já há muitos anos, estava tanto nevoeiro que não deu para ver absolutamente nada. O mais irónico, é que Arouca fica relativamente perto daqui, talvez a uma hora de de carro, por isso mesmo já lá poderia ter ido explorar o que a serra tem, é é muito, para mostrar e oferecer aos seus visitantes.

Este fim-de-semana passei por lá com os meus pais. Foi uma curta passagem, mas já deu para ver alguma coisa e serviu para me deixar ainda com mais vontade de lá passar brevemente, com mais tempo, quem sabe até para fazer alguns percursos pedestres. 

A primeira paragem foi junto do miradouro da Frecha da Mizarela, a maior queda de água do país, e uma das maiores da Europa.

Frecha da Mizarela





Dirigimo-nos depois ao local onde pode ser observado o fenómeno das Pedras Parideiras, raríssimo no mundo,  mas o centro de interpretação estava fechado provavelmente por ser domingo de Páscoa. 

Pedra em forma de disco que sai das pedras parideiras

Só estivemos à conversa com um senhor que andava a pastar as suas vacas (uma muito curiosa a olhar para nós), mas depois rumános para o local onde iríamos fazer o repasto, uma zona de lazer na serra, junto à estrada, por entre um pequeno curso de água, e à sombra de bétulas e ciprestes, e com bancos de granito. 

As sempre elegantes bétulas


Bétula ou Vidoeiro (Betula celtiberica)







Ainda caminhei um pouco pela serra, quase em estado puro, observando os vários corvos que voavam numa espécie de bailado, e andei atrás de umas borboletas de coloração preta e amarela, (que ainda não identifiquei) e que pousavam na flor amarela da carqueja. Não as costumo ver por aqui onde moro.



Ainda resolvi trazer para casa um pedacinho da serra, no caso um calhau, que me parece ter uma forma bem interessante.


Foi uma curta passagem pela serra, talvez mesmo só um pequeno aperitivo, para um regresso bem mais demorado por terras de Arouca.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Escaravelho-dos-lírios-escarlate

Anteriormente, quando escrevi sobre o "escaravelho-inca", referi que a minha mãe, quando viu as fotografias, disse-me que era um bicho que lhe sugava algumas plantas, precisamente por estas alturas. Mas a verdade, é que apesar de ambos serem vermelhos, um não tem nada a ver com o outro. 

O inseto a que se referia é este, o Escaravelho-dos-lírios-escarlate:

Escaravelho-dos-lírios-escarlate (Lilioceris lilii)

Não tem qualquer padrão e é de um vermelho bem mais vivo, aliás, este escaravelho, bem que podia perfeitamente chamar-se Escaravelho-Benfica ou Escaravelho-Ferrari! Pelo nome da criatura, ficamos logo com a ideia, terá uma ligação quase exclusiva com os lírios, e na verdade a minha mãe diz-me que eles só atacam nas coroas-de-rei e nos lírios, o que bate certo. 

Zona de ataque: Coroas-de-rei