terça-feira, 31 de maio de 2016

À espera do Vermelho-Fogo

A primavera entra na reta final e ontem, como tive de me deslocar perto dos Jardins do Palácio de Cristal, fui espreitar para ver como estariam os metrosideros plantados defronte do pavilhão Rosa Mota. E na verdade já se viam vários pequenos pompons vermelhos.





O meu, aquele que resgatei resgatei do ecoponto completamente seco e quase morto, está nas minhas mãos à quase um ano e cresceu imenso, mas, para já, nem sinal de flores. 


Na verdade também não sei ao certo quantos anos demorará um metrosidero a florir. Aguardarei, o pobre coitado também esteve quase morto, quem sabe talvez floresça para o ano. 

Os metrosideros ainda jovens que fotografei estão intercalados com escovilhões (Callistemon) também eles com uma floração vermelha e relativamente semelhante, mas na imagem vê-se bem a diferença, o escovilhão tem porte arbustivo ao passo que os metrosideros têm porte já de árvore.




Mesmo antes de sair ainda apanhei um outro metrosidero, de outra espécie, também ele já com algumas flores.






Espero que este tenha sido só um abrir do apetite. Fará bom tempo, pelo menos pelos próximos dias, e se assim se proporcionar, talvez me desloque à cidade do Porto para poder fotografar os seus exemplares que encontre mais imponentes. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Jardim do Castelo de Chaves

No espaço de duas semanas passei por Chaves, infelizmente só de passagem e sem tempo para me poder demorar com os seus jardins e arranjos florais que se vêem por toda a cidade. Ainda por estes dias quando por lá passava via como estavam floridas as rosas dos separadores centrais das ruas.

Desta última vez, sem tempo para muito mais além de uma pequena paragem antes de seguir para León, decidir ir fotografar o jardim do castelo, que não tinha visitado duas semanas antes.




Do antigo Castelo de Chaves resta a antiga Torre de Menagem e uma fortificação anexa à Torre. Nas muralhas que a rodeia, um admirável jardim está decorado de marcos miliários e colunas romanas, canhões e pelouros (bolas de pedra) : 








segunda-feira, 23 de maio de 2016

Heras à Varanda

Existe um sem número de pessoas que dormem nas ruas das cidades. Outras pessoas há que são donas de casas, mas que as deixam o abandono e depois selam as portas e janelas para que ninguém lá possa entrar.




No entanto nada pára a força da natureza e todas as construções que o Homem faça e abandone, a Natureza tomará conta. No último andar deste edifício, a dois passos da Torre dos Clérigos, já as heras estão à varanda.

domingo, 22 de maio de 2016

O Pesadelo dos Caracóis

Fui abrir a tampa de um dos bidões de composto já pronto, que está debaixo de uma laranjeira, ao lado de dois compostores e duas surpresas desagradáveis. Primeiro constatar que a tampa não estava totalmente bem colocada e entrou água lá para dentro, tendo agora uma espécie de adubo orgânico mais líquido do que sólido! Mas isso até poderá ser útil, porque em vez de comprar, posso por exemplo adubar os bonsais (e outras plantas) com este adubo líquido totalmente biológico! A segunda surpresa bem mais assustadora: dezenas de caracóis por debaixo da tampa! Recolhi-os e deixei-os nesta caixa plástica. Mas atenção, cuidado com a falsa perceção que os caracóis são muito lentos! Falso! Basta virar costas que eles rapidamente desaparecem!







Tenho ouvido algumas pessoas queixarem-se destes moluscos devoradores de plantas tenras, e eu mesmo bem vou vendo, principalmente as plantas suculentas devoradas por eles. Mas até ao momento ainda não comecei uma verdadeira caça ao caracol. Quanto muito vou apanhando um ou outro que vejo, e uso-os como alimento para as minhas tartarugas, que os adoram e são uma rica fonte de cálcio totalmente natural. 

Na natureza, sem a intervenção nefasta do homem, tudo estaria mais ou menos em equilíbrio, e para uma praga se multiplicar tanto, danificando tanta coisa nas hortas e jardins, é porque algo não está bem. No caso dos caracóis, estes proliferam abundantemente porque cada vez mais terão poucos predadores diretos e que sejam também, tal como os caracóis, noturnos, como por exemplo os ouriços-cacheiros e pior ainda em casas particulares com muros a delimitar, pois mais dificilmente para lá entrarão. Mas também as cobras que deles se alimentam se vêem cada vez menos ou mesmo os licranços, que são muitas vezes mortos por pura maldade e ignorância das pessoas.

Depois estamos a falar de uma criaturinha que pode viver mais de dez anos, e que pode multiplicar-se por 300 todos os anos! E ainda por cima é hermafrodita! ou seja a sua cara-metade pode ser outro caracol qualquer!

Existem diversas técnicas que os apanhar. Sempre ouvi falar da cerveja, mas eu nem sequer a bebo vou agora comprar cerveja para os caracóis se afogarem?! e ainda por cima detesto o cheiro! Mas existem também técnicas que não passam de  mitos, como colocar certos materiais, que ao que parece eles não passam por cima. Mas depois disto que vi, num cato da minha mãe, acho que é mesmo para esquecer!



E mesmo que funcione, como a questão de colocar cascas de ovos ou as borras de café, acaba por ser um pouco chato andar sempre a colocar esse tipo de coisa por todo o jardim, pior ainda se for de grandes dimensões. Ou colocar abrigos, como vasos cerâmicos virados ao contrário, e com uma abertura suficiente para eles lá entrarem e depois os recolhermos facilmente. No fundo foi isso que me aconteceu, ao encontrá-los, escondidos, numa tampa de um bidão. 

Existe um sem número de dicas de como nos livrarmos dos caracóis. E existe ainda o veneno que se pode comprar e colocar junto das plantas a proteger. Mas eu sou contra o uso de venenos, bem como pesticidas, então para mim isso não é opção porque eu vou continuar com um Jardim ao Natural. 

A melhor opção - enquanto não trouxer uns ouriços-cacheiros para casa! - acho que é mesmo fazer uns serões noturnos no jardim. Os caracóis são umas criaturas noturnas, e de dia não se vêem pois procuram sítios bem escondidos para não serem encontrados, mas de noite saem para comer (também há aqueles que ficam por muito tempo, anos até, completamente imóveis, no seu sono profundo) e então o melhor, será nós mesmos sairmos de casa, de lanterna em punho e ir à caça deles.

Depois é preciso ter cuidado com tudo o que os possa abrigar. E cuidado com certas plantas, como os agapantos, antúrios ou estrelícias por exemplo, ou outras plantas muito densas onde eles se possam abrigar. No meu caso que estou a fazer uma densa sebe de heras a toda a volta da casa, já sei perfeitamente que será um imenso albergue de caracóis. Mas não tenhamos ilusões, por mais limpo e arrumado que possa estar o jardim, nunca os vamos erradicar totalmente, mas temos de os controlar sob pena de nos infligirem graves danos nas hortas e jardins.

Depois de apanhados fica ao critério de cada o que fazer com eles. Há quem lhes ponha os pés cima, e há até quem faça deles grande petisco, especialmente de Leiria para baixo. Eu nunca provei, e confesso que tenho alguma desconfiança, até porque aqui a norte do Douro não temos essa tradição. Quer quiser ter uma postura mais "humana" pode sempre recolhe-los e deixá-los bem longe.




No meu caso, tal como referi, sirvo-me deles como alimento natural para as tartarugas. Elas simplesmente adoram-nos, faz-lhe muito bem à saúde e ainda por cima não se gasta um cêntimo o que é ótimo. Os caracóis comem-me as plantas mas depois são comidos pelas tartarugas, e tudo fica assim mais equilibrado.


sábado, 21 de maio de 2016

Azevinhos Bonsai

Depois do desgosto da primeira tentativa de ter um bonsai a partir de um dos muitos azevinhos que tenho a partir de semente, e que acabou frustrada por este ter sucumbido a um ataque de cochonilha, tenho no entanto mais dois que já ganham alguma forma e que certamente não permitirei que o mesmo se volte a repetir.

O principal interesse que vejo neste primeiro exemplar são as suas raízes expostas. Por outro lado as folhas demasiado grandes para a o tamanho, talvez o que ainda destoa mais.  






Este segundo moldei-o com uma forma completamente diferente, com o tronco inclinado. Ainda não está num vaso de bonsai, encontra-se para já numa embalagem plástica que improvisei, e na verdade, qualquer embalagem deste tipo serve perfeitamente para o efeito, até porque os vasos esmaltados para bonsai não são propriamente baratos. 








(A propósito se procura uma grande quantidade de azevinho silvestre para, por exemplo, fazer uma sebe, contacte-me. Tenho centenas deles, de todos os tamanhos para vender ou trocar)







sexta-feira, 20 de maio de 2016

Bonsai de Piracanta em Flor

Já há uma ou duas semanas que comecei a ver as piracantas a florir, quer nos montes, quer uma que tenho num vaso grande. Nos últimos dias começou a florir um bonsai que fiz e que também é a primeira vez que o vejo em flor.






A piracanta resulta muito bem como bonsai pelas pequenas folhas que tem, bem como as suas pequenas flores e os seus pequeníssimos frutos


Este bonsai está a norte, à sombra. Curiosamente uma outra piracanta que tenho, e que ainda está num vaso de vinte litros e a pleno sol, só tem mesmo um ou dois botõezinhos a quererem abrir. 




E por falar em piracantas, a pequena estaca que trouxe de Tomar, aquando da visita à Mata Nacional dos Sete Montes, já está enorme, com bem mais de um metro e também ela em flor. 




Todas estas pequeninas flores darão origem a pequeníssimos frutos lá para o outono. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

As rãs do Jardim Botânico

Há algumas semanas entrei no Jardim Botânico do Porto unicamente para fazer um pouco de tempo. Reparei no gradeamento e no muro, agora tudo bem pintado, com as novas cores do edifício que ainda recentemente era branco.








Contornando o edifício, rapidamente cheguei ao pequeno lago das traseiras, onde as rãs coaxavam freneticamente. Sentei-me junto a elas, e estranhei que não se assustavam comigo. Podia quase tocar-lhes...




Absinto: será que é Mito?

Em 2013 contava aqui toda a minha saga em busca do absinto. E contei que a queria plantar porque tinha ouvido dizer que é uma planta excelente para afastar algumas pragas e ainda ótimo para fazer um biopesticida. E ainda há poucos dias aqui contava que até plantei um absinto junto da minha roseira, confiando que os pulgões ou piolhos a infestassem. E na verdade até ver nada de pulgões na roseira. 




Só que há um pequenino problema. Todos os novos rebentos do próprio absinto estão completamente infestados de pulgões!!! Então como é que isto se explica? Como pode uma planta servir para afastar os pulgões, se ela mesma não os consegue afastar de si mesma? Começo a acreditar que isto se trata de um mero mito urbano. Mas no entanto, o que me intriga é que, na verdade, na roseira ainda nenhum foi para lá....

Cresce o Abeto do Bussaco

Este meu abeto-bebé foi comprado em agosto do ano passado aquando da minha visita à Mata do Bussaco. E começou agora a crescer (sorriso):







Ervilhas-de-cheiro espontâneas

Há precisamente um ano publicava aqui uma mensagem sobre as ervilhas-de-cheiro que havia semeado no inverno anterior, e que floriam agora emanando o seu belo cheiro. O no ano passado recolhi centenas de sementes e enchi uns pequenos saquinhos, para depois voltar a semear. Mas na verdade esqueci-me de as semear. O tempo, para quem trabalha oito horas por dia em prol de outrem é muito curto, e mais curto ainda se faz, quando temos tido chuva e mais chuva em quase todos os fins-de-semana desde o final do ano passado. 

Mas curiosamente não foi preciso semear as ervilhas-de-cheiro porque conforme iam secando, algumas das sementes caiem ao chão, e sem qualquer intervenção humana acabam por facilmente germinar. 





As heras acabaram por servir de suporte, para que com as suas gavinhas se pudessem erguer e segurar. 



Ainda assim algumas acabam mesmo por tombar para cima do relvado... e eu talvez arranje forma de as prender às heras. 





quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sabe o que é o Glifosato? Se calhar devia

Em 26 voluntários portugueses, o glifosato foi detetado em 100% das análises efetuadas à urina. Na Suíça, em 2015, uma iniciativa equivalente tinha detetado glifosato em apenas 38% dos casos e, em 2013, num outro levantamento realizado pela associação Amigos da Terra em 18 países europeus, estavam contaminadas 44% das pessoas.
O valor médio de glifosato na urina dos portugueses testados foi de 26.2 ng/ml (nanogramas por mililitro). Para referência tome-se a Diretiva da Qualidade da Água: na água de consumo o glifosato não pode ultrapassar os 0.1 ng/ml. Isto significa que a quantidade de glifosato agora detetada, se estivesse em água da torneira, contaminaria essa água 260 vezes acima do limite máximo legal!

A situação noutros países não é brilhante, mas apresenta-se muito menos grave do que a portuguesa. O estudo "Urinale 2015"*7, que abrangeu mais de 2000 alemães, encontrou uma média de apenas 1.1 ng/ml: cerca de 20 vezes abaixo dos resultados portugueses. Além disso, o valor mais alto detetado na Alemanha foi de 4.2 ng/ml, enquanto que os valores portugueses variaram entre 12.5 e 32.5 ng/ml. Ou seja, o português menos contaminado tem três vezes mais glifosato que o pior caso alemão. Outros estudos publicados tipicamente apresentam valores médios próximos dos alemães.



  


Mais alguns dados relevantes a retirar dos resultados nacionais:

os três voluntários mais novos (com idades entre os 7 e os 19 anos) apresentaram um valor médio mais elevado (26.7 ng/ml) que o grupo global, uma desproporção que também foi identificada no estudo alemão;
– não se detetou diferença clara na média de valores dos 4 voluntários que, sendo jardineiros profissionais, poderiam estar mais contaminados do que os restantes (estes últimos, todos eles habitantes de uma zona urbana e sem exposição profissional);
– embora o caso com mais glifosato seja o de um jardineiro, o segundo lugar pertence a um não-jardineiro;
– os valores acima de 20 ng/ml constituem, face à literatura disponível, as maiores concentrações jamais medidas em pessoas sem exposição profissional.



Restante texto do artigo pode ser lido aqui, no site da Quercus.

# Indignação: Autarcas que semeiam a morte


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Solar dos Condes de Resende

Por vezes descobrimos sítios interessantes e que nem fazíamos a mais pequena ideia que existiam, simplesmente porque ao passar perto de determinada localidade encontramos uma placa que nos indica esse ponto de interesse. E foi precisamente assim que fiquei com a ideia em visitar o Solar dos Condes de Resende. 

Foi no fim-de-semana passado que acabei por me deslocar à freguesia de Canelas em Vila Nova de Gaia para visitar esta Casa Queirosiana. 




No folheto que trouxe, pode-se ler que:

O Solar Condes de Resende, antigamente designado por Quinta da Costa ou Casa de Canelas, é uma propriedade senhorial cuja notícia mais antiga é a Carta de Negrelos de 1042 (...)
Aqui faleceu, em 1907, D. Manuel Benedito de Castro Pamplona, 6º daquele título, cunhado do escritor Eça de Queirós, seu condiscípulo na juventude que aqui se enamorou de sua irmã Emília, com quem o autor de Os Maias veio a casar em 1886.




Compõe-se a propriedade de dois núcleos edificados ligados por um passadiço de pedra sobre a antiga rua de acesso: o núcleo senhorial, composto por casa de três corpos articulados em ângulo reto, definindo dois pátios, o da entrada, para o qual abre a ala norte por uma escadaria que desce da varanda alpendrada , fechado por forte muro com caminho de ronda, onde se abre a porta de entrada, e um outro com uma fonte do lado sul.  Este pátio comunica com outro espaço através de um túnel ao nível do rés-do-chão pelo meio do corpo central da Casa. 





A Capela fica no exterior, abrindo a sua porta principal para a rua. 


Circundando a Casam encontra-se a Norte o Jardim das Camélias, com importantes exemplares centenários, e outras áreas ajardinadas, o grande tanque que recolhe a água das nascente de S. Mamede na Serra de Negrelos, e algumas áreas de cultivo. 












Gostei de visitar esta Casa Queirosiana muito cuidada e do seu cantinho bucólico com jardim formal de buxo e camélias e uma ou outra árvore centenária. Nas traseiras da casa há também um espaço dedicado à horta, mas existe ainda bastante espaço, atrás da capela, que poderia ser aproveitado para revitalizar e não estar ao abandono servindo quase de depósito de tralhas, vi inclusive alguns sinais de trânsito lá pelo chão. 

No dia que lá estive como era o primeiro domingo do mês realizava-se também uma feira de artesanato, onde aproveitei para repor energias depois da demorada visita por todos os recantos do espaço.

O Solar dos Condes de Resende está abertos todos os dias da semana, incluindo sábado e domingos das 9 às 19 horas e tem entrada gratuita.