domingo, 27 de novembro de 2016

As Ginkgo do Estádio do Dragão

Todos os dias a caminho do trabalho passo por várias, já todas amarelinhas. 
Neste domingo estive pelo Porto e acabei por passar em frente do Estádio do Dragão. E também estas Ginkgo bilova estão com a sua folhagem completamente dourada. 





Por toda a cidade muitas destas árvores masculinas, já estão vestidas de dourado, e a explicação é a seguinte:

"Na ausência de frutos ou de órgãos reprodutores, há ainda assim um modo de distinguir as Ginkgos femininas das masculinas: estas despem-se de folhagem três a quatro semanas antes daquelas. Isso mesmo está referido no Jornal Hortícolo-Agrícola de 1899, p.122." 
(no livro À sombra de árvores com história)

Por esse motivo, por ser fêmea, aquela especial das Virtudes, também este ano, ainda não tenha vestido o manto dourado.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Hoje é Dia da Floresta Autóctone

Celebra-se hoje, todos os anos a 23 de Novembro, o dia da Floresta Autóctone, que foi estabelecido para promover a importância da conservação das florestas naturais, e por ser uma época bem mais favorecida pelas condições climatéricas, para que em Portugal e em Espanha se proceda à sementeira ou à plantação de árvores. Este é o equivalente Ibérico do 21 de Março criado nos países do norte da Europa. 







Este é pois um dia com este duplo sentido, por um lado lembrar e defender as nossas árvores e as nossas florestas, e por outro, implementar uma data muito mais favorável à sua plantação, pois em Março podemos ter muito mais insucesso na plantação graças ao aumento das temperaturas, e muitas vezes redução de pluviosidade. 

Se querem plantar árvores esta é a altura certa!

Para saber mais: QUERCUS

domingo, 20 de novembro de 2016

Porque racham as romãs?

Por estes dias observava, fascinado, as primeiras romãs da minha romãzeira. Uns frutos quase pareceram ter crescido aos pares, e uns cresceram muito ao passo que outros ficaram bem mais pequenos. E um grande fruto (como é normal acontecer com as romãs) estava completamente rachado ao dependuro, ficando quase só uma espécie de tampa agarrada ao ramo que suportava o fruto, como que convidando toda a gente para provar do fruto (sementes) saboroso. 


E isto fez-me transportar no tempo e lembrar que, certa vez, um professor deu-me boleia no seu Renault 4L e tinha em cima do tablier, como que a servir de decoração, várias romãs de tamanho médio, e pareciam quatro autênticas bolas de madeira! Olhar para as minhas primeiras romãs todas rachadas, completou essa informação das romãs em cima do tablier, que mais pareciam quatro bolas de madeira. 

As plantas dão flores mas não é para agradar aos olhos dos humanos, ou porque são seres vivos verdadeiramente altruístas e dão alimento gratuito aos insetos que se alimentam do pólen ou dos animais que se alimentam dos seus frutos. Não há flores, frutos nem pólenes grátis. Tudo está inserido numa perfeita cadeia que cumpre uma missão.   

A romã dá os seus preciosos frutos, que guardam as suas saborosas sementes, porque o arbusto ou pequena árvore quer-se propagar. E lá está, se os frutos não rachassem, cairiam ao chão e ficariam as tais bolas duras, que impediriam a dispersão das sementes. Então a árvore arquitetou esta brilhante estratégia de abrir os frutos, e envolver as sementes de uma polpa saborosíssima que atrai todo de aves, sem falar, é claro, em nós humanos!



E se as romãs começam a rachar significa que os frutos estão maduros. E é provavelmente graças a esta estratégia, que a romã se dispersou pelo mundo graças aos pássaros. Eu bem vi muitas vezes ali, os pássaros, alguns piscos de volta das romãs abertas. E eu dividi, mais ou menos irmamente, pois retirei a parte maior para mim (também sou maior não é?) e deixei a pequena tampa para os pássaros!

E os frutos são de facto muito saborosos, mas da forma como as sementes estão projetadas, os pássaros só têm mesmo é de comer a saborosa polpa com semente e tudo (tal como nós comemos os maracujás por exemplo!) e mais tarde, sabe-se lá quantos quilómetros depois, libertam-nas e estas tentarão a sua sorte onde forem aterrar. 

A romãzeira é originária da Ásia e mais tarde difundida pelos países do Mediterrâneo. E foram, por exemplo, encontradas romãs em túmulos egípcios que datam de há 4500 anos. E os árabes, que apreciavam muito a romã, introduziram-na também em Espanha, e não é à toa que Granada significa romã em espanhol.

Do muito simbolismo associado à árvore e ao fruto, está desde logo a fecundidade. No que se refere às propriedades medicinais, o fruto é usado como adstringente e vermífugo. 

sábado, 12 de novembro de 2016

Parque Alta Vila

Do município de Águeda, já anteriormente escrevi aquando da caminhada pela Pateira de Fementelos, uma das maiores lagoas naturais da Penílsula Ibérica. E da lagoa ao centro de Águeda são cerca de dez minutos de carro. 

A pequenina e colorida cidade (desde 1985) muito virada para a arte de rua, com um roteiro e tudo, está encostada ao rio que lhe dá nome, tem pouco mais de dez mil habitantes e, segundo o folheto, para fazermos o "Trilho do Águeda" que vai até ao "Souto do Rio"não precisamos mais do que duas horas e meia. E podemos muito facilmente percorrer a pé todo o centro urbano sem grande dificuldade e em demorarmos muito tempo.

Um dos locais que eu quis visitar, por me parecer que é um antigo espaço muito aprazível, com árvores centenárias e de antigos jardins de cariz romântico foi o Parque Alta Vila que faz parte do pequeno percurso PR6.1


Mas este parque é um parque que ainda não o é verdadeiramente. 
Quem ali chega, facilmente percebe que aquele espaço foi sítio de gente abastada, que ali quis criar um ambiente romântico, com diferentes jardins e estruturas decorativas de belo efeito, ao jeito dos jardins ingleses.

O espaço ainda tem uma zona murada e entradas a fazer lembrar um pequeno castelo.




Mas ainda não é um verdadeiro parque, primeiro porque percebe-se que para já está abandonado à sua sorte. Abandonado desde logo pelos sucessivos autarcas, e na pesquisa que fiz fiquei a saber que querem requalificá-lo, mas querem primeiro ouvir as pessoas e não desatar a "plantar árvores" e isso até me parece bem.



Contudo a minha primeira impressão foi oposta. Não precisam desatar a plantar árvores, poderiam começar por simplesmente tentar salvar as que já ali estão há muitas décadas, e refiro-me às palmeiras que estão quase todas mortas graças ao escaravelho, e se não se despacharam não restará nenhuma viva. E não é que eu seja grande defensor das palmeiras, que não sou, mas já que ali estavam, acho que deveriam tentar ser mantidas, porque árvores com muitos anos são verdadeiros monumentos vivos.





Li também que houve um grande temporal no início do ano de 2013 e que muitas árvores do parque caíram, mas curiosamente as declarações que vi dos políticos são do mesmo ano. E três anos é muito tempo, até porque os mandatos são de quatro. Não quero ser injusto, não faço ideia do que terá sido feito ou não, li que recuperaram a casa, mas não sei se se recuperou alguma coisa dos jardins e parece-me que não.

Mas o que sei, até por aquilo que vou vendo por todo o lado, é que talvez preservar o património natural não dê muitos votos, pois é raro que se faça algo a este respeito, e acho que é pena que as pessoas que vivem nas cidades não exijam e defendam mais espaços verdes e que se plantem muitas mais árvores e não ocupar tudo que é terra com betão e prédios. 


Ironicamente também li, num outro blogue, que os habitantes de Águeda estão divorciados deste espaço. Parece que ninguém o frequenta. E isso eu mesmo pude atestar. Num domingo à tarde vi um casal, e alguém que passou de bicicleta. De resto mais ninguém. Mas não é caso único, pois como tenho vindo a escrever sobre outros belíssimos espaços que visito, esses vão estando muitas vezes abandonados, enquanto que, à mesma hora, por certo que os centros comerciais (que deveriam estar fechados ao Domingo) devem estar a abarrotar de gente. Preferências muito questionáveis. 





E o que me apetece mesmo dizer é que "Deus dá nozes a quem não tem dentes". 

O Parque Alta Vila tem enormes potencialidades. Desde logo é um espaço generoso, são mais de três hectares, e não é preciso que inventem muito, nem têm de desatar a plantar árvores. Bastaria limpar as infestantes que invadem o espaço, refazer os canteiros de buxo, no fundo unicamente preservar e restaurar o que foi feito pelo seu proprietário, Eduardo Caldeira, na segunda metade do século XIX. 
E que depois de preservado que as pessoas dele possam usufruir.

Caviar Branco no Jardim

No espaço das minhas tartarugas, encontrei por estes dias um caracol a enterrar-se na areia. (atribuir uma palavra masculina a um ser bissexual, nos dias que correm pode dar grande discussão!) O motivo para o sucedido, para meu espanto, é o que o bicho (ou bicha!) estava a enterrar os ovos da sua próxima geração de caracóis. 




Tendo em conta que qualquer caracol, porque é hermafrodita se pode reproduzir, num ano pode-se multiplicar por mais de quatrocentos, e apesar de certamente muitos não chegarem a adultos, pois serão alimento de outros predadores, a verdade é que dá para perceber a dimensão do problema para um sítio com muitas plantas como o meu, e não esquecer que eu não uso venenos para os matar. 

No entanto parece que estes ovos de caracol são também eles (à semelhança do quase extinto esturjão)  muito usados na cozinha - dizem que é "caviar branco"! - e a coisa também não é barata,  pois 1Kg custa cerca de 1500€. 

Bom, apesar do meu caviar branco ser totalmente biológico, pois é proveniente de um ambiente sem pesticidas ou outros agro-químicos, e nem sequer é de viveiro, muito valioso portanto!, eu preferia vê-lo longe do meu jardim! 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Árvores que matam a fome

Ao invés de árvores, normalmente exóticas como os eucaliptos, que vieram lá do outro lado do mundo e que só trazem miséria, outras há, ou ainda vão havendo, e que sempre aqui estiveram, que nascem espontaneamente por aí e que quando chega o Outono, onde ainda as há, matam a fome a quem comer das suas sementes ou dos seus frutos.


As castanhas são as sementes dos castanheiros. É a castanha que dará origem a uma nova árvore. Os frutos são os ouriços, muito bem protegidos como um verdadeiro ouriço-cacheiro, que protegem as suas preciosas e saborosas sementes, que por norma são uma ou duas, ou por vezes até três.

Outrora muito usada na nossa alimentação, a castanha (tal como a bolota ou landra que passou quase só a alimentar só os animais) acabou por cair em desuso, e é hoje um produto muito caro, podendo passar facilmente os 3 ou 4€/Kg.

Mas nas aldeias, como onde vivo, ainda há castanheiros que crescem espontanemente, um aqui, outro ali, castanheiros que quase não são de ninguém, e na verdade a terra não é mesmo de ninguém. Quem vive na aldeia não precisa ir comprar castanhas ao hipermercado, basta levantar-se cedo, ir dar uma caminhada e esperar que os castanheiros tenham sido generosos durante a noite. 


Depois de apanhadas é trazer para casa e comê-las. Eu tanto como cruas ou preferencialmente assadas no moliço. Só lhes faço um golpe na casca para não rebentarem, e deito-lhes fogo. Depois é só esperar uns minutos e estão prontas a comer. 






terça-feira, 8 de novembro de 2016

1a Exposição Orquídeas Brasfemes - Coimbra

Pela primeira vez Brasfemes, e a sua freguesia, será a capital nacional das orquídeas durante dois dias. Isto, porque uma cooperação entre a Associação Portuguesa de Orquidofilia e a Junta de Freguesia de Brasfemes permitiu a realização da “1ª Exposição de Orquídeas de Brasfemes” que terá lugar nos próximos dias 19 e 20 de Novembro. A realizar na Casa da Freguesia, o certame será composto por uma exposição de dezenas de orquídeas das coleções particulares dos associados da Associação Portuguesa de Orquidofilia, uma pequena exposição fotográfica de algumas orquídeas que não poderão ser vistas ao vivo e duas palestras sobre o cultivo de dois géneros de orquídeas: Phalaenopsis e Cymbidium. Estará também presente no evento o Horto Viveiros Costa que virá da Trofa com muitas dezenas de orquídeas para vender.



Se vive a muitos quilómetros de Coimbra, pode planear um fim-de-semana em família. Para além da visita à 1ª Exposição de Orquídeas de Brasfemes, pode descobrir Coimbra, cidade dos estudantes, do fado e Património Mundial da Humanidade. Para saber onde ir, o que fazer e onde ficar, consulte a página on-line do Turismo de Coimbra.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Simbolismo das Plantas

Há coisas de facto curiosíssimas. 

Por estes dias eu escrevia aqui que "talvez um dia eu comece aqui a falar do simbolismo associado às plantas"...

... E entretanto há já uns largos meses que a minha amiga do Liz me dizia que tinha um livro para me oferecer. São daqueles miminhos muito prazerosos, pois são dados sem obrigação, porque não fazemos anos, nem é Natal (logo eu que até detesto que me dêem prendas nessa época de consumismo!), e porque até parece que o Dia dos Amigos ainda ninguém se lembrou de inventar! E até já tínhamos estado juntos várias vezes, mas mas o livro havia ficado esquecido, como que adormecido à espera de germinar, que é como quem diz, ser entregue no momento certo. 

E eis se não quando chegou-me agora às mãos. E que livro é? Nem de propósito: "O simbolismo das Plantas"!



Os benefícios do Alho e da Cebola


Este é um tema que me é muito querido, a história mas também simbolismo que é atribuído às plantas já dos tempos da antiguidade. E agora já tenho um bom livro para ler, parasaber mais e consultar sempre que necessário, e até para me servir de fonte aqui para o blogue.

O Simbolismo das Plantas / Frank J. Lipp / 1997

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Admirável Natureza Privada

Quem leu o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley vê que aquilo que era ficção científica dos anos trinta do século passado, é agora a realidade dos dias de hoje. Está cada vez mais perto o dia em que, será uma Multinacional a fazer os bebés, porque obteve uma patente para o efeito, e todos aqueles que quiseres ter filhos, terão de pagar a essa empresa para os ter.
Para já são só as sementes e as plantas:

Pimento passa a ser propriedade privada da multinacional suíça Syngenta

O Instituto Europeu de Patentes (IEP) concedeu à gigante suíça, especializada em produtos químicos e sementes, uma patente que abrange a planta convencional e os seus usos “como um produto fresco, produto fresco cortado, ou para processamento, como por exemplo, a conservação em lata”.



Fazendo minhas as palavras de Saramago, o nosso Nobel da Literatura:

Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.